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5 coisas que o The New York Times fez em busca de um modelo de negócios sustentável, segundo sua diretora executiva

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Meredith Kopit Levien, president & CEO, The New York Times Company, presents on the second day of the 25th anniversary of ISOJ on April 13, 2024. (Patricia Lim/Knight Center)

"O mundo precisa de um ótimo jornalismo, mas um ótimo jornalismo precisa de um ótimo modelo de negócios." Com essa frase do do analista de mídia Ben Thompson, Meredith Kopit Levien, presidente e diretora executiva da The New York Times Company, abriu sua apresentação no 25º Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ).

Kopit Levien passou a maior parte de sua carreira trabalhando com a sustentabilidade do jornalismo de qualidade. Para ela, o segredo de um bom modelo de negócios "é criar um produto que seja tão bom que um grande número de pessoas o procurem e venham a ele regularmente, abram espaço para ele em suas vidas e o façam todos os dias".

Kopit Levien, em sua tentativa de resumir o trabalho que o The New York Times vem realizando na busca de um modelo de negócios sustentável, apresentou os cinco temas a seguir:

Faça algo por que valha a pena pagar

Em uma era em que se esperava que as informações fluíssem gratuitamente pela internet, o The New York Times optou por algo muito diferente: um modelo de assinatura.

"Acreditamos que nosso jornalismo, nosso trabalho, é tão valioso que as pessoas acabariam pagando por ele, mesmo na presença de alternativas gratuitas, e eu diria que não pensamos isso apenas para o The New York Times. Pensamos assim para o jornalismo independente de qualidade em todos os lugares", disse Kopit Levien.

Segundo ela, a filosofia da empresa sempre foi priorizar o jornalismo, de modo que o primeiro dólar que entra no The New York Times é sempre destinado a melhorar a qualidade do jornalismo que eles fazem.

Tome decisões difíceis sobre o modelo de negócios e dê-lhes tempo para evoluir

Todas as decisões do The New York Times nos últimos anos foram tomadas com as quatro premissas a seguir em mente: digital em primeiro lugar, assinatura em primeiro lugar, destino (relacionamentos diretos) e vários fluxos de receita complementares.

De acordo com os dados fornecidos por Kopit Levien, 65% da receita da empresa agora vem do digital, superando a participação da impressão na receita, que é de cerca de 30%.

Além disso, três quartos da receita do The New York Times vêm dos assinantes, que agora são mais de 10 milhões.

Não deixe que a tradição sufoque a inovação

Há várias tradições no The New York Times. Uma delas é que quando um repórter produz uma matéria que vai para a primeira página do jornal pela primeira vez, ele recebe uma placa da prensa com a página A1 para comemorar a ocasião.

Com o avanço digital, essa tradição evoluiu e os repórteres agora recebem uma placa comemorativa chamada Trifecta quando sua história domina a primeira página do site, da newsletter e do podcast.

Enquanto isso, outras tradições, como a famosa pirâmide invertida, foram quebradas para descobrir novas maneiras e formatos de contar histórias.

Para mudar o setor, é preciso mudar a maneira como se trabalha

A operação comercial do The New York Times é mais parecida com a de grandes plataformas, como Spotify ou Netflix, como explica Kopit Levien. Como resultado, a empresa tem muito mais funcionários em todas as funções de produtos digitais e o jornalismo é visto como um esporte de equipe profundamente multifuncional.

"Quando cheguei ao The New York Times, era muito difícil trabalhar com produtos digitais. Tínhamos muitos interesses conflitantes. A maioria de nosso pessoal de negócios estava em funções diretamente comerciais, vendendo assinaturas, fazendo marketing, vendendo publicidade...", disse a executiva.

"Estávamos competindo com as maiores e mais poderosas plataformas de tecnologia do mundo pelo envolvimento do usuário", acrescentou.

Lidere com ambição

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Keynote session, The business of journalism — creating a sustainable model with Meredith Kopit Levien, president & CEO, The New York Times Company and chair Evan Smith, co-founder, The Texas Tribune, and senior advisor, Emerson Collective on the second day of the 25th anniversary of ISOJ. (Patricia Lim/Knight Center)

Para o The New York Times, liderar com ambição é importante porque o jornalismo e o trabalho que os repórteres fazem são importantes.

"Não consigo pensar em nada que seja mais importante [do que o jornalismo], em termos de negócios, para a sociedade e para a democracia", disse Kopit Levien.

A meta é conseguir tantos ou mais assinantes quanto as grandes plataformas de streaming, como a Netflix.

"Nossa ideia para o The New York Times é ser a assinatura essencial para toda pessoa curiosa que deseja entender e se envolver com o mundo", acrescentou ela.

A apresentação foi encerrada com uma sessão de perguntas e respostas moderada por Evan Smith, cofundador do The Texas Tribune e conselheiro sênior da Emerson Collective, onde puderam discutir os tempos confusos do setor e a importância de colocar o jornalismo no centro do negócio.

"Seis mil pessoas, 5.900 para ser mais específica, trabalham no The New York Times. Todas estão lá por causa da missão, todas estão lá porque queremos mais jornalismo independente", concluiu Kopit Levien.

ISOJ é uma conferência global de jornalismo online organizada pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas em Austin. Em 2024, está comemorando 25 anos reunindo jornalistas, executivos de mídia e acadêmicos para discutir o impacto da revolução digital no jornalismo.

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