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Grupos de liberdade de expressão estão alarmados com a detenção de jornalistas venezuelanos

Argumentando que os jornalistas estavam fazendo gravações em um "corredor presidencial," membros da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) da Venezuela prenderam os jornalistas Andreina Flores e Jorge Luis Pérez Valery, informou o Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS) Venezuela.

De acordo com o IPYS Venezuela, a detenção de Flores – do canal colombiano RCN – e de Pérez Valery – da Red Más Noticias – ocorreu em 18 de agosto, nas imediações do El Calvario, um parque no centro de Caracas próximo ao palácio presidencial.

O jornalista Pérez Valery escreveu em sua conta no Twitter que a detenção ocorreu quando eles estavam fazendo "imagens de apoio de locais emblemáticos" de Caracas. O repórter acrescentou que eles foram retidos no local, levados a um posto da GNB, e posteriormente ao Complexo Militar Fort Tiuna. Ele explicou: "não tenho certeza se estamos ‘retidos’ ou ‘detidos'.​

IPYS Venezuela acrescentou que, segundo fontes, os jornalistas foram levados para Fort Tiuna para que explicassem a um coronel da GNB o motivo de estarem gravando naquele “corredor presidencial."

O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP por sua sigla em espanhol) estava presente no complexo militar, informou o IPYS. Após quatro horas de detenção, os jornalistas foram liberados, segundo publicou o SNTP em sua conta no Twitter.

Em relação ao caso, o defensor público Tarik William Saab disse que seu escritório estava em contato com o ministro da Defesa antes que os jornalistas foram libertados, segundo o El Nacional. De acordo com o defensor, o ministro assegurou-lhe que os jornalistas estavam no complexo "como entrevistados."

O defensor público também manifestou em sua conta no Twitter que os membros do escritório iria estar presentes para garantir que os direitos humanos dos jornalistas fossem respeitados e que tomassem as medidas de defesa necessárias.

Em diferentes eventos ocorridos também em 18 de agosto, o jornalista Julio Mendoza do portal digital El Pitazo foi detido e espancado enquanto realizava a cobertura de uma atividade liderada por membros da oposição em San Fernando de Apure, informou El Pitazo.

Segundo o site, o jornalista estava cobrindo um evento da Mesa da Unidade Democrática (MUD) para promover o referendo revogatório contra o presidente Nicolas Maduro. Ele e outras três pessoas identificadas como líderes políticos, assim como alguns menores de idade, foram presos, acrescentou El Pitazo.

De acordo com um estudante de comunicação social que participou do evento, o incidente ocorreu quando o repórter gravava a detenção de um dos líderes políticos, e membros da polícia o abordaram para remover o celular que ele usava para gravar as imagens, publicou El Pitazo.​Pitazo said.

Depois de quatro horas de detenção, ele foi liberado. O diário El Nacional informou que o jornalista foi algemado e agredido, e que seu celular tinha sido destruído.

O SNTP anunciou no Twitter em 19 de agosto que iria denunciar as agressões contra Mendoza "graças ao apoio do Fórum Penal", uma organização não-governamental que presta assistência jurídica a pessoas detidas de forma arbitrária.​

A Associação Nacional de Jornalistas da Venezuela (CNP por sua sigla em espanhol) informou em 18 de agosto sobre outros eventos no estado de Carabobo. Alguns jornalistas que cobriam um evento conhecido como Operação Libertação do Povo foram agredidos e alguns deles foram detidos, disse a organização.​

Jornalistas dos meios de comunicação Venevisión, Notitarde, El Carabobeño e La Calle foram detidos por mais de 40 minutos por membros da GNB. De acordo com a CNP, eles foram "assediados enquanto o material audiovisual gravado por eles estava sendo revisto". Eles também inspecionaram seus veículos.

"A deterioração da liberdade de imprensa" na Venezuela​

Estes eventos mais recentes somam-se a relatos anteriores de prisões, agressões e assédio contra trabalhadores da mídia, e até mesmo de destruição de materiais jornalísticos e equipamentos.

De acordo com a IPYS Venezuela, 17 jornalistas, comunicadores e profissionais de mídia foram detidos até agora em 2016, durante o desempenho de suas funções.

Os eventos ocorreram duas semanas após os relatores especiais da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) expressarem preocupação sobre a "contínua deterioração da liberdade de imprensa na Venezuela".​

"Estamos profundamente preocupados com os recentes ataques contra jornalistas e meios de comunicação independentes, aumentando a pressão sobre os meios de comunicação na Venezuela. Isto é especialmente alarmante em virtude da escassez de alimentos e medicamentos no país, a crise econômica e as fortes tensões sociais e políticas," disseram na época os relatores especiais.

Na ocasião, eles também alertaram sobre as alegações de agressões, prisões, encerramento de jornais, demora na renovação de licenças de rádio, entre outros problemas. Os Relatores Especiais expressaram estas preocupações em uma carta ao governo venezuelano e pedira explicações.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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