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Meios peruanos criam aliança com apoio das Nações Unidas para verificar informação em línguas nativas durante campanha eleitoral

Ama Llulla, ‘não minta’ em quechua, é a nova rede de meios de comunicação peruanos que vai fazer fact-checking para combater informações falsas durante a campanha eleitoral para as eleições gerais de 11 de abril.

AMA LLULLA ALIADOS Perú

Medios peruanos de la red de fact-checking Ama Llulla. (Captura de pantalla)

"Um dos componentes desta rede, e pelo qual também fazia sentido chamá-la de Ama Llulla, é que vamos traduzir as checagens para línguas originárias", disse David Hidalgo, diretor jornalístico do Ojo Público, à LatAm Journalism Review (LJR). Por enquanto, as verificações serão traduzidas para o quechua e o asháninka, duas das línguas originárias mais faladas no Peru.

A rede vai colocar mais esforços em formatos de som, como podcasts, que podem ser replicados por rádios em áreas remotas do país, disse Hidalgo. Para atingir o público urbano, eles farão mais conteúdo em vídeo, ilustrações e peças digitais, acrescentou.

Essa iniciativa de jornalismo colaborativo é formada por Ojo Público, IDL-Reporteros, La Mula, Útero, Convoca, El Filtro, Sudaca, Ideele Radio, El Búho, além de diversos meios de comunicação regionais que se uniram para levar as checagens a todo o país, principalmente para as populações mais vulneráveis ​​como os povos indígenas.

A experiência de alianças contra a desinformação eleitoral como Verificado no México (2018), Reverso na Argentina (2019) e Comprobado na Espanha (2019) serviram de base para a criação e coordenação, em poucos meses, de Ama Llulla, disse Hidalgo. Essa aliança colaborativa e plural foi possível graças ao edital para a mídia feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Peru.

A responsável pela área de governança democrática do PNUD no Peru, Denise Ledgard, disse à LJR que consideram a criação desta rede "essencial" durante a campanha eleitoral, lembrando a "desconexão geral" que existe entre os cidadãos, a elite política e formuladores de políticas públicas no país.

Outro objetivo do PNUD ao criar a rede é conseguir fechar as lacunas na participação política de certos grupos que consideram vulneráveis, como mulheres, comunidades indígenas e jovens, disse Ledgard.

A Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), em conjunto com o PNUD, também apoia o financiamento do projeto que engloba a criação da rede.

Após seu lançamento neste domingo, 17 de janeiro, Ama Llulla vai começar a uma campanha de conscientização sobre os efeitos negativos da desinformação para orientar a população. Nesse sentido, eles vão produzir conteúdos que destacam o risco de informações falsas durante o período eleitoral, disse Hidalgo.

Eles vão verificar o conteúdo difundido nas redes sociais e de mensagens como o WhatsApp, um dos canais com maior fluxo de desinformação.

Além da campanha, a rede também realizará treinamentos com oficinas virtuais de verificação. Para isso, vão trabalhar com universidades e centros educacionais para ensinar aos alunos uma metodologia de verificação que servirá como uma ferramenta para promover o pensamento crítico na sociedade, especialmente em relação ao discurso público de autoridades e outros atores importantes.

Para garantir que as verificações sejam feitas de forma rigorosa, objetiva, neutra e independente, a organização criou uma redação virtual. A redação será oferecida pelo Ojo Público, que vai se coordenar com os demais veículos participantes.

Os meios de comunicação da rede vão trabalhar com uma metodologia única de verificação, com princípios como responsabilidade ética, transparência das fontes e imparcialidade quanto ao conteúdo checado sobre figuras públicas. As verificações e materiais divulgados, de acordo com o código de princípios da rede, vão ter atualidade, relevância e impacto para o interesse e bem-estar públicos.

A aguda crise política que o Peru enfrentou nos últimos anos, disse o editor-chefe do La Mula, Alberto Ñiquen, à LJR, mostrou que o Congresso não representa os interesses daqueles que o elegeram.

“Uma melhor resposta à pandemia – que ainda está por vir – também envolverá ter as pessoas certas no Palácio [do Governo] e no Parlamento", disse Ñiquen. "Ama Llulla vai mostrar as falsas promessas e afirmações de candidatas e candidatos, o que vai beneficiar o eleitorado para que saibam em quem não votar", disse.

La Mula e Útero, que pertencem à mesma editora, vão participar da rede com verificações semanais.

O Convoca se junta à Ama Llulla com sua unidade de fact-checking, a Convoca Verifica.

“As eleições são um contexto político transcendental para expor as mentiras e meias-verdades dos candidatos”, disse Milagros Salazar, diretora do Convoca, um dos veículos da rede, à LJR. “O jornalismo pode ajudar a promover a prestação de contas na opinião pública e que os políticos assumam a responsabilidade pelo que dizem e prometem”, afirmou.

Da mesma forma, Ledgard destacou que a rede, além de verificar o discurso político dos candidatos em campanha, vai colocar questões importantes na agenda pública e criar espaços onde possa haver interação virtual com o cidadão.

*Esta história foi escrita originalmente em espanhol e foi traduzida por Marina Estarque.

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