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Delegado confirma envolvimento de policiais na morte de jornalistas em Vale do Aço

Nesta sexta-feira, 19 de abril, o chefe da Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a participação de policiais nos assassinatos de dois jornalistas em Vale do Aço, de acordo com o portal R7. Entre os investigados pela participação nos crimes estão policiais civis e militares.

Durante coletiva de imprensa em Ipatinga, o delegado Cylton Brandão da Matta afirmou que os suspeitos já foram identificados. Dois delegados que atuavam na região foram substituídos, informou o Estado de Minas.

Morto a tiros no dia 8 de março, Rodrigo Neto de Faria, de 38 anos, tinha um dossiê inédito sobre crimes praticados por um suposto esquadrão da morte formado por policiais da região, de acordo com o Estado de Minas. As fotografias que ilustrariam a série especial eram de Walgney Carvalho, que foi morto 37 dias depois do colega.

Após as mortes, em circunstâncias semelhantes, dos repórteres da editoria policial do jornal 'Vale do Aço', de Ipatinga, a imprensa local tem dado sinais de inibição e autocensura.

"O pessoal que está em campo, até de outras editorias, está receoso e preocupado", afirmou Breno Brandão, editor da publicação, à Folha de S. Paulo. Os jornais têm sofrido com a saída de profissionais que cobrem temas policiais e a falta de candidatos para assumir os cargos vagos, de acordo com a Folha.

Outros jornalistas da região têm sido alvos de ameaças. Para proteger os profissionais, polícia intensificou patrulhamento perto da casa de um deles, segundo o site Portal dos Arcos. O Grupo de Trabalho sobre Direitos Humanos dos Profissionais de Comunicação no Brasil solicitou que sejam avaliados os riscos a que estão submetidos os jornalistas do Vale do Aço, noticiou o G1.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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