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Emissora venezuelana Globovisión rompe aliança de mais de uma década com grupo colombiano RCN Televisión

Por Samantha Badgen

O canal venezuelano Globovisión rompeu esta semana a aliança que mantinha com o grupo colombiano RCN Televisión. A razón da ruptura entre as emissoras não foi indicada, mas nos últimos dois meses se acentuaram as diferenças entre as linhas editoriais das duas empresas.

Em fevereiro, o sinal do canal internacional NTN24 -- propriedade de RCN -- foi tirado do ar por sua cobertura dos protestos que explodiram no país há mais de um mês. Globovisión costumava ser um canal crítico ao chavismo até que mudou sua linha editorial em maio do ano passado quando foi vendida a entidades próximas ao governo.

Segundo o comunicado de imprensa publicado por NTN24 em 18 de março, a nova Junta Diretora da televisora venezuelana suspendeu a aliança de mais de uma década pela qual realizavam intercâmbio de coberturas e compartilhavam infraestrutura de produção. NTN24 trasmitia da sede da Globovisión.

NTN24 era um dos poucos canais que transmitiam na Venezuela os detalhes dos protestos e entrevistava os manifestantes. Apesar da súbita suspensão de seu sinal, NTN24 continuou informando sobre a situação na Venezuela por portais de Internet e suas contas nas redes sociais.

Claudia Guirsatti, diretora geral da NTN24, afirmou que o canal continuaria com sua cobertura apesar da ruptura com Globovisión.

“Ainda que agora nos peçam para retirar o pessoal e os equipamentos da RCN e NTN24 da sede da Globovisión, seguiremos dia a dia em nosso incansável trabalho de informar os venezuelanos e a cada um dos latino-americanos do hemisfério e Europa sobre as realidades de suas nações”, afirmou Guirsatti no comunicado.

Em uma entrevista para o programa La Tarde de NTN24, a ex-vice-presidente da Globovisión María Fernanda Flores falou sobre a censura do governo aos meios de comunicação durante os protestos e lamentou que tenha meios no país que optaram pela autocensura para evitar ações do governo.

“Venezuela realmente ficou cega, muito cega, porque já não há transmissão ao vivo e direta do que ocorre no país”, disse. “Foi construída toda uma arquitetura legal para cercear a liberdade de expressão”.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog Jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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