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Jornalistas pedem mais empenho no combate à violência e à impunidade no México

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  • 9 dezembro, 2010

Por Ingrid Bachmann

O governo mexicano, assim como os veículos de comunicação de ambos os lados da fronteira e as organizações de liberdade de imprensa e de jornalismo, precisam fazer mais para acabar com a perigosa situação da imprensa na fronteira do México com os Estados Unidos, ameaçada pela impunidade e pela violência ligada ao narcotráfico.

Essa é a conclusão de uma centena de editores, jornalistas e especialistas do México e dos Estados Unidos reunidos no Fórum de Editores de Jornais da Fronteira, organizado em El Paso, no Texas, pela Sociedade Americana de Editores de Jornais (ASNE, na sigla em inglês) e pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol).

Embora os participantes tenham pedido ao governo mexicano que transforme em ações concretas suas promessas em relação à proteção dos jornalistas, segundo um comunicado citado pelo El Universal, os veículos de comunicação também devem oferecer melhores condições de trabalho e mais treinamento a seus profissionais, de forma a “neutralizar os efeitos e as tentações” do crime organizado.

A jornalista María Idalia Gómez, pesquisadora da Unidade de Pronta-Resposta da SIP no México, disse que o governo mexicano transformou em uma “simulação” sua política de proteção à liberdade de expressão/a>, ao criar uma promotoria especial que, em quatro anos, não esclareceu os numerosos crimes contra jornalistas e nem sequer conta com uma base de dados que cruze informações sobre os ataques à imprensa em todo o país, reportou o jornal El Diario de Juárez.

Alejandro Junco de la Vega, presidente e diretor geral do Grupo Reforma, disse que alguns jornais não publicam mais os nomes dos jornalistas em certas matérias e pediram a suas equipes que mudem sempre sua rotina, de forma a proteger os profissionais dos criminosos, de acordo com El Paso Times.

Nas discussões, também foi ressaltado que os veículos de comunicação e os jornalistas precisam de mais união e solidariedade para enfrentar as ameaças do narcotráfico e exigir respostas do governo, conforme o comunicado da SIP.

No encontro, a relatora especial para a liberdade de expressão da OEA, Catalina Botero, pediu às organizações de mídia dos Estados Unidos que apoiem seus colegas da América Latina, explicou o site SDP. Segundo Botero, os veículos de comunicação americanos estão mais protegidos para denunciar as irregularidades e injustiças no México.

O diretor de Liberdade de Imprensa da SIP, Ricardo Trotti, disse que a imprensa americana não faz uma cobertura das ameaças ao jornalismo mexicano, informou o site Texas Tribune. “Precisamos (da cobertura nos veículos americanos) para pressionar o governo mexicano”, afirmou Trotti, para quem a publicação de matérias pequenas, de menos de 200 palavras, nos grandes meios já seria suficiente para mobilizar as autoridades mexicanas.

violência ligada ao narcotráfico deixou sua marca na imprensa mexicana, especialmente nos estados na fronteira com os Estados Unidos. O Comitê Para a Proteção dos Jornalistas estima que pelo menos 30 profissionais de imprensa tenham sido assassinados ou estejam desaparecidos no México nos últimos quatro anos.

Para mais informações sobre as mais recentes ameaças ao jornalismo mexicano, veja este mapa do Centro Knight.

Nota do editor: Essa história foi publicada originalmente no blog de jornalismo nas Américas do Centro Knight, o predecessor do LatAm Journalism Review.

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